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日志


3月31日

O excesso e a vida

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Excedendo...

O mesmo Sol que ilumina pode queimar. A mesma paixão que queima, pode matar. O mesmo desejo que mata, pode extasiar.

Os excessos são prescindíveis? Exacerbam, pecam por impor presença - falta prudência, cuidado, zelo, sensatez - sobra a mania de ver o mundo através de uma lupa, resultando na distorção do que é real, no exagero...

Mas será que conseguimos medir, controlar, disciplinar o que se passa nos bastidores da alma?

Mas será que estamos preparados para prescindir dos excessos, se eles nos dão prazer e conforta os sentidos?

Na verdade, estamos sempre a olhar o que queremos ver e  sempre queremos maior do que pode ser - essa busca nos dá força, nos alavanca para conquistas novas, a caminhar pelo desconhecido na certeza das descobertas mais inusitadas...

Mas... tem o outro lado...

Síndromes de toda ordem se instalam - da megalomania, do pânico, da compulsão - o ser humano está sujeito a muitas fragilidades - conheço gente que se encaixa em cada uma delas e prefere ser aprisionado, a buscar por ajuda - geralmente provocados pelos excessos, os estados emocionais perdem o seu referencial e se entregam ao prazer passageiro, deixando rastros desastrosos, destrutivos.

Penso que o caminho do meio ainda é o melhor caminho. Certa disso, vou trilhando sem atalhos, vou tecendo sem pressa, vou vivendo em busca de mim mesma - sempre!!

Mas...é imprescindível

Ser realmente grande, ao invés de apenas aparentá-lo,

Ser amado com admiração, em lugar da afeição,

Ser movido pelo amor, não somente pela paixão.

 

E eu estou aqui, presente, feliz por ser quem sou.

3月29日

A Vida e a Malícia

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Milícia contra a Malícia

Vítima da malícia estratégica de alguns, me detenho, retenho todos os argumentos, observo e descubro mais simulações, capazes de macular e envolver na sombra as boas intenções.

A astúcia, inimiga da inteligência, muda de lugar, chega de surpresa, e as vezes vence pela falta de cuidado em observarmos as suas manobras, seus truques. Decifrar a intenção é algo que exige paciência, prudência - há que se abrandar a ansiedade nesse jogo, que coloca em xeque a dissimulação, em detrimento da franqueza.

Um batalhão de observadores ocultos deverão ser ativados para desmascarar, entender, processar e internalizar o que de fato vale a pena ser saboreado. Assim, quem sabe, estaremos habilitados a melhor conhecer aqueles que nos cerca.

A previsibilidade nos deixa iguais - "é fácil abater um pássaro que voa em linha reta, mas não aquele que altera o seu vôo", já dizia alguém - a atenção e curiosidade que despertamos ao agirmos diferenciadamente a cada circunstância, nos credencia a derrotar a Malícia, que se coloca sempre à espreita, aguardando uma oportunidade para o ataque - usa de  todas as armas e está sempre em alerta, nas trincheiras da mediocridade.

A má intenção viola os princípios mais sagrados, nos torna rudes, nos cerca com a mais refinada malícia, destrutiva e impiedosa.

 

E... VIVA O BOM SENSO E A VERDADE!!

3月23日

Vivendo o cotidiano

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 Dia a Dia

Assisto meu cotidiano com o olhar obsceno, capaz de me desnudar. Nesse movimento, imagino o quanto perdí por não ter me excedido mais - nos amores vividos, na paixão, na compaixão...

As palavras caducam - se misturam, são engolidas e contidas. Disse muito pouco do que deveria, observei mais do que expressei, silenciei mais do que bradei e sinto que embora seja uma prisioneira voluntária da perspectiva do amor, muito pouco tenho me embebedado dessa fonte.

No que está latente, envolto pelo desejo, se materializam tantas coisas! Mãos que querem tocar, boca que só pensa em beijar, corpo frenético pela emoção que queima, pernas que querem entrelaçar, ouvidos que querem segredar, cheiro que se perdeu no ar...

Febril como os ativos vulcões, meu corpo não pode esperar - se desgoverna nos sonhos, se atrapalha e se afasta da real possibilidade.

Febril como um coração apaixonado, meu corpo deixa rastros de desejo, se descuida da sensatez e atira a primeira pedra.

Febril como o sol causticante, meu corpo trêmulo de tanto querer, adormece na solidão, à espera da melhor emoção.

 

E... esse mesmo corpo, se retrai, se abstrai... 

3月22日

Fantasiando a Vida

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FANTASIA

A Vida é feita de alegorias - enfeitamos aqui, adornamos ali e vamos dourando a pílula, pintando os nossos dias, nesse faz de conta sem fim.

Uma estratégia, capaz de nos distanciar do que incomoda, do que ameaça - fugir de um cotidiano sempre igual e se refugiar nas areias do deserto, na mata atlântica, nos mares da Polinésia, em outras galáxias, quem sabe!

Na minha fantasia, quase tudo posso - me escondo de todos, mas nunca de mim mesma, esse é o problema. Estarei sempre a fazer de conta, quando conveniente fôr, mas sem dúvida, corro o risco de desconectar-me dessa força que mobiliza, que estimula, que me põe prá frente.

Estou por um triz !

Chego a pensar que sou como os fogos de artifício - encantadores, porém efêmeros,

Chego a pensar que só encontro as respostas que ficam guardadas na intenção,

Chego a pensar que por não seguir o fluxo, fico à margem, com a sensação de que não faço parte, de que não é a minha praia,

Chego a pensar que apenas faço parte da paisagem do meu cotidiano, tão somente - não influencio a ordem natural das coisas, embora invada fronteiras e fique assim, indivisível como o sol no horizonte.

Os espantalhos se libertam!

As verdades se aguçam!

Em mim, tudo cala, até a razão. E fico assim, olhando à minha volta e me certificando da presença de Deus - nesse momento, ele sorrí. Sinto que está aqui, dentro do peito - é a melhor parte de mim. 

Nesse momento, rumino incertezas e me debato entre me deleitar no que está por vir ou me libertar das amarras que retardam o meu acontecer.

Na verdade, quero ser infinitamente capaz de pecar - aqueles deliciosos pecados capitais... degustá-los demoradamente, sussurrando ao pé do ouvido promessas de amor e ao final, surpreender com um largo sorriso a minha emoção.

Censuro ciclos que não se completam - ficar assim entre o que sinto e o que não sei é como apostar no talvez, no quase, no meio-termo...

NÃO!

Quero cantar a alegria da minha chegada - livre, criança, mulher - inteira - sempre buscando o gosto de um beijo ao acaso, que fica guardado na compreensão de um toque...

 

E quase me entristece

Os segredos escondidos no gesto,

Provocando ilusões e registros

Na minha FANTASIA. 

 

 

3月21日

Breve espaço de viver

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Tateando...

Carlos Drumond de Andrade já dizia:

"O Amor é grande e cabe no breve espaço de beijar".

O encontro, quando acontece, cabe em qualquer espaço -  de um coração machucado, de uma cabeça desfeita, de um beijo com gosto de saudade do possível amado.

O encontro, quando acontece, cabe em qualquer sonho - das  fadas e duendes encantados, da gata borralheira, da menina de rua, da cinderela quase nua.

O encontro, quando acontece, cabe em qualquer tempo - no passado bem vivido, no presente feliz, no futuro tão querido.

Basta acontecer!

Com um sorriso no rosto, uma chama no peito e verdades prá contar, vou seguindo feliz, na dúvida e na certeza, caindo e levantando, mas sempre caminhando,

Com um sorriso no rosto, cuido de estar atenta, seja aqui, logo alí ou até lá, onde a vista não alcança, mas o coração não se cansa de acreditar,

Com um sorriso no rosto, peço a Deus que encontre o meu par!

 

3月20日

Apenas desejando e vivendo

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Quanto hormônio!

Estou acesa!! Como se todos os poros se dilatassem para a vida. Uma alegria inexplicável, uma euforia adolescente, uma excitação gritante.

Quero expandir, segurar meu acontecer com mãos fortes e habilidosas, sentir e esgotar todas as possibilidades.

Legal demais! Será que foi a lua cheia? A solidão? As lembranças?

Realmente não sei. Me arde por dentro um calor intenso, que faz tremer e arrepiar o corpo inteiro, provavelmente em busca da próxima emoção.

Sinto que estou pronta - aquela coisa gostosa, que vai invadindo todos os sentidos sem pedir espaço, simplesmente ocupando as lacunas deixadas no esquecimento por vacilo...

Sinto que estou pronta - aquele amargor da espera, do sangue ferver, do mundo girar, da vontade que dá...

Sinto que é agora e sempre - faz parte de mim, sou assim...resta saber se vai chegar.

Sinto e sigo sentindo!

Sinto e sigo querendo!

O calor aumenta, o desejo também. A melhor emoção está por vir - vou aguardar - sei que o amor está prá chegar. Meus hormônios sinalizam, minha intuição prevê, meus instintos confirmam.

Vou ficando assim - esperando...esperando...esperando...

 

3月19日

Imperfeita, eu? É a Vida

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A tal Imperfeição

Um amigo me fala da "beleza da imperfeição" - é... por sermos imperfeitos, vamos sempre em busca do entendimento, da compreensão dos processos inconscientes e assim, procurando dar sentido aos pensamentos que esfolam, aos sentimentos que desgovernam, à felicidade que se gasta...

Preciso fotografar o sabor da vida - engraçado isso! O acontecer é muito mais amplo - cada momento de um jeito - tem mil sabores, tantas alegorias...

Sei que os meus grandes e pequenos eus se desconhecem, se ignoram e são incompativelmente deliciosos, por serem essencialmente plurais - por vontade própria ou por estímulos externos, estão sempre a se hostilizarem e chego a pensar que não tenho alguma individualidade - sou uma multidão fragmentada e circunstancial de mim mesma, do que me consente a minha consciência adormecida.

É!! Daí a imperfeição. Centenas de cabeças, braços e pernas a se degladiarem...

E o pior é que agimos em nome de um todo - fazemos planos, promessas, decidimos, tudo em função de um todo, que na verdade nada mais é que uma infinitésima parte de nós mesmos naquele exato momento.

Não existe um líder, alguém para botar ordem - somos guiados pelas circunstâncias e agimos então, de acordo com os nossos ímpetos, nossa intuição - naquele instante, colocamos a Vida nas mãos daquele eu específico, que, cheio de autoridade, assume as rédeas de uma determinada trajetória, nem sempre a melhor.

Eu,hem? Confuso mesmo!!

Uma legião de incontáveis eus - cada um com suas prioridades, pensamentos, desejos, sensações, não importa - uma convivência tumultuada, acirrada e comandada por influências externas - a depender das associações que se façam, elas produzirão efeitos, mudando repentinamente a sua rota - só vivemos efetivamente no nosso último eu - não notamos a alternância que se estabelece de um para outro, apenas pressentimos.

Eu, hem? Confuso mesmo!!

Acho melhor deixar tudo isso pra lá e viver o que possa de melhor e me garante este eu que agora se revela.

 

Socorro!!!

Meus eus estão perdidos - envoltos numa nuvem tão densa ...

3月18日

Vivendo a dualidade

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Dualidade

Fragmentos da dualidade resultante de um ser em mutação - assim me sinto - assim me vejo.

Quero, mas ao mesmo tempo não desejo,

Ando prá frente, querendo voltar,

Sou alegre e sou triste,

Sou bonita e sou feia,

Proativa e defensiva ,

Energética e  hiperativa,

Estou cansada! Farta de ser e não ser.

Seja em que domínio for, estarei sempre mergulhada no sono, aquele que entorpece, cega, anula, distorce...

Seja em que domínio for, estarei sempre atenta aos estados emocionais particulares, à singularidade e caprichos da alma...

Impressiono pela força, valentia, coragem...

Decepciono pela intolerância, indecisão, insegurança...

Sou uma estrela cheia de pontas e em cada uma delas, de um determinado jeito - estou desacostumada ao desenvolvimento harmonioso e subverto a ordem de todas as coisas, na esperança de que na minha mecanicidade consiga enxergar a diferença entre o que é automático do que é consciente.

Minha coerência não se encerra numa simbologia capaz de decodificar os mistérios do que somos - essa simplificação agrada a alguns, mas limita a nossa capacidade de entendimento do maravilhoso milagre que não está na lógica, na linguagem, na religião, na alquimia ou até na magia, mas está sim na união entre o ser e o saber - a verdadeira UNIDADE, a verdadeira compreensão, está nos sentidos e estes, não se expressam através de um conhecimento cartesiano, mas do exercício da sensibilidade. Complexo, não?

Nortear o caminho -será?

Escolher indicadores - é possível?

 

E vamos vivendo, com a impressão de que somos um erro e um acerto, um milagre ou não...

 

 

 

 

 

 

3月17日

Circulando pela Vida

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Diálogos inevitáveis

Pensei - dedicar o meu dia à Observação.

Saí sem compromisso com o tempo. Uma linda caminhada pela praia, seguida de um belo mergulho nas piscinas naturais, onde namorei todos os peixinhos que se aventuraram a passar à minha frente - de todas as cores e formas, eles iam e vinham, dando a impressão de que se sentiam bem, acompanhados por mim.

Sem pressa, deitei ao sol e dando lugar ao imaginário, comecei a brincar com as nuvens - o céu estava cheio delas e na minha fantasia, iam se transformando... fiquei assim por longo tempo, apenas fazendo de conta...

Não sei se adormeci, mas fui surpreendida com algumas visitas, que começaram a chegar sem aviso... 

O primeiro foi o DESEJO, que sem nada dizer, sentou-se à minha frente, cheio de terceiras intenções, a fazer caras e bocas e se instalou curiosamente na mais confortável posição, como se ali, de fato, fosse o seu território - não arredou o pé e continuou impondo presença, à revelia do meu olhar inquisitório - parecia estar muito a vontade, cuidando para que nada colocasse em xeque a sua superioridade.

Logo depois, a SAUDADE chegou, toda falante, queixosa, se lamentando como sempre, mas trazendo consigo a terna lembrança, a vontade contida, todos os nobres sentimentos.

Enquanto conversávamos, chega a DISTÂNCIA - Ah! Como estava arrasada! Mancando de uma perna, e sem 02 dentes, perdidos numa briga por amor ( lembrei de um amiguinho - o Pepe), ela não tinha forças nem para falar - viajou muito até chegar neste porto ( nem sei se tão seguro) e encontra logo quem - a SAUDADE!  Sua indignação não deu trégua e a briga começou ali mesmo - muitos desaforos, insultos, insinuações, até que, entra em cena a PRUDÊNCIA para dar um basta naquele constrangimento - sempre tão verbal e comedida, começou a ponderar sobre uma possibilidade de acordo - se ali estavam todos os interessados, por que não resolver logo as pendências e fazer juz a um presente novo? Era o que faltava para dar o tom - uma voz firme, porém acolhedora, terna...inspirando confiança, essa amiga de todas as horas, sempre chega no momento certo de entrar em ação e com a sua determinação, disse: "Queiram enquanto podem, porque o tempo e a oportunidade não esperam ninguém". Aquela afirmação caiu como uma bomba sobre todos.

E por que não?

Assustada, acordei em tempo de mais um banho naquelas águas quentinhas e fiquei assim, absorta, a observar o vai e vem das pessoas, o labrador que cismou em me fazer companhia, os surfistas a pegarem suas ondas, as gaivotas em seus vôos rasantes...uma infinidade de coisas que nesse momento assumem toda a magnitude possível e demonstram que na verdade a Vida só se pode construir HOJE.

 

"Não passe a vida descontente consigo mesmo, o que é mesquinhez, nem satisfeito,o que seria tolice". ( Baltasar Gracian)

3月15日

O âmago da Vida

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Alma despida

Vestí a minha alma com roupa de gala e saí para uma comemoração especial - estava a brindar novas descobertas - cada brinde, uma surpresa - e elas se sucederam e desnudaram a minha alma - pobre alma despida...

Não intimidada, ela então iniciou um novo ritual - começou a dançar, fazendo as honras de um coração adolescente e assim, aquele lindo encantamento, resultante de tantas piruetas, chama a atenção de todos e exibe toda a sua generosidade - ela adorna, enfeita, triunfa sobre a dissimulação e  supera o mal estar inicial, tão atropelado.

Nenhuma palavra - apenas o olhar certeiro, suave, determinado.

Nenhuma palavra - apenas o jeito manso, dengoso, cordato.

Nenhuma palavra - apenas sendo o que é, simplesmente...

 

Neste momento, minha alma sente frio - continua despida, à espera da próxima roupa de gala...

 

3月13日

A Beleza e a Vida

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O espelho

A beleza. Tanto se fala dela, se enaltece, valoriza, poetiza...

"...mas a beleza é fundamental"- grande poetinha Vinicius! A que tipo de beleza ele se referia? Aos atributos externos? À beleza que exala, que vem de dentro? Como saber?

Concordo! A beleza abre portas, instiga o macho, provoca inveja... essa beleza física, materializada num corpo sarado, numa cara bonita, na sensualidade...

E a verdadeira beleza? Será vista? Percebida? Valorizada?

Vamos refletir - a beleza dos nobres sentimentos, de gestos grandiosos, das boas intenções, da alegria, da autenticidade, da espontaneidade, do amor incondicional, da compaixão, da capacidade de perdoar... se revelam e embelezam de forma encantadora todas as criaturas - nos tornam únicos e especiais.

Para que servem os espelhos? Refletem apenas o que queremos, o que idealizamos! Sendo assim...

Está decidido - vou quebrar o meu espelho - e com ele, a minha vaidade, o meu orgulho, a minha intolerância, o meu radicalismo... ele é estático, imutável, severo, não dá trégua à minha  sensibilidade.

Está decidido - de hoje em diante, procurarei me olhar nas águas dos rios, dos mares - elas caminham, seguem seu fluxo sem pressa, refletem a cada instante uma imagem diferente, assim como na verdade somos - sempre em mutação, em busca de uma nova identidade.

Está decidido - quebrarei meu espelho em mil pedacinhos e deletarei minha imagem distorcida, na esperança de que possa algum dia me enxergar como sou - com defeitos, qualidades, incertezas, manias, indiosincrasias, pruridos, medos... não sei se vou gostar do meu novo visual - despido das máscaras, da defensividade, da ansiedade...mas vou perseguir essa nova imagem, com o coração aos pulos, feliz pela coragem de enfrentar meus fantasmas.

Sutilmente, vou me aventurar nessa viagem, crendo encontrar o que procuro - a beleza irrestrita, infinita, invisível, translúcida, imaginária...

A beleza ( aquele tipo convencional, padronizado) escraviza, subordina, nos faz reféns absolutos - é difícil desvencilhar-se - a cobrança do que está fora de nós mesmos nos aprisiona - seja nos inserindo num contexto de formas e cores determinadas, seja  esperando comportamentos estereotipados, bem ao gosto da maioria - como não conseguimos viver isolados, vamos aceitando ser o que parecemos ser - sucumbimos seguindo a corrente e vamos levando...

Alguém disse: " Para viver só, é preciso ter muito de Deus ou tudo de besta" e complementou - " Antes sensato com a maioria, do que louco sozinho".

Concordo! Concordo mesmo!

E a beleza, aquela especial, valorosa, diferenciada, fica muitas vezes esquecida em detrimento à monstruosidade espiritual - contradiz a beleza superior.

E assim, vamos buscando o belo, na esperança de que ele se sobreponha sempre.

E você, já tentou hoje ser mais belo entre os belos?

Continuo tentando...

3月11日

Vivendo e acontecendo

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Fazendo acontecer

"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."

Esperar convenientemente a hora certa, o dia certo, munido de todas as certezas capazes de nos garantir toda a segurança possível - Que perda de tempo!

Nada é tão certo - vivemos na incerteza e isso é muito bom - movimenta a vida, dinamiza o querer, desafia o acontecer.

Acomodar-se e pacientemente esperar acontecer é uma atitude no mínimo covarde -  denota egoísmo, falta de ambição, ausência de projeto para si mesmo - em todos os níveis - familiar, afetivo, profissional, social...

Estar no presente, viver o agora, sentir e esgotar toda e qualquer centelha de emoção, atendendo aos apelos do coração, dá sentido à Vida, faz arder esse fogo interior, extrapolar pelos poros essa suave e doce companhia - expandir-se além do limite visual que lhe é imposto -vagar por aí, livre, invisível aos olhos menos atentos e correr mundo, sem contudo apressar-se, visitando cada pedacinho de felicidade que mora em cada canto de você...

Fazer bonito o seu acontecer, pressupõe, antes de tudo, pintar com as cores do arco-íris o seu olhar, enfeitar com orquídeas as suas ilusões ( se bem cuidadas, durarão para sempre!), decorar com alegria o caminho por onde passa, cobrir com lençois de cetim o leito dos amores-amantes, perfumar com o aroma do desejo aquele encontro especial, enfim, dourar a vida de todos os matizes...

Fazer bonito o seu acontecer, pressupõe ser o melhor que puder nas pequenas e grandes coisas, musicar aquela poesia guardada e esquecida lá no fundo da gaveta, cantar aos quatro ventos os seus desatinos por amor, encantar com o seu sorriso todos que cruzarem à sua frente, desentristecer os mais frágeis companheiros com a sua felicidade, ser capaz de ousar, sem perder a suavidade...

Fazer bonito o seu acontecer é tão simples! Basta apenas que sejamos verdadeiros - Acreditem!

 

Entre o riso e o impreciso, fortaleço o que me completa, me divido ao meio e me faço LIVRE.

 

3月10日

Vou gravitando...vou vivendo...

Gravitando tão somente

Algumas imagens permanecem satelitizadas no meu campo gravitacional. São consoantes e vogais que se alternam como num quebra-cabeças, instigando a minha criatividade. Procuro aproximá-las, na esperança de formar, quem sabe, uma idéia, outra idéia, mais idéias, capazes de materializar o meu momento.

Sinto como se estivesse magnetizada pelo que ainda está por vir. Na verdade, sigo sonhando, sem querer acordar - Que perigo! Manter-me na ilusão do que virá, me distancia objetivamente do presente e obviamente deixo de vivê-lo por desconhecê-lo - Que louco!

Gravitam nomes, sensações, quereres...e sigo desejando o próximo instante, deixando de viver o que se apresenta nesta exata hora - talvez por achá-la sem graça, enfadonha, sem novidade, incapaz de mobilizar a alegria, tão necessária para adornar a minha cabeceira do mais belo presente.

Me sinto em circuito fechado, onde tudo conspira para a mesmice -  me transportando para longe daqui, sigo na esperança de que logo adiante, logo alí, possa encontrar uma possibilidade de fazer diferente.

E aí sim, envolvida por essa aura ilusória, encontro VOCÊ, que não sei na verdade quem é, mas tenho a vaga idéia de que seja uma surpresa capaz de arrebatar os melhores e mais fiéis sentimentos, as mais intensas sensações, os mais selvagens instintos, as mais extravagantes intuições, a mais louca viagem para dentro de nós mesmos.

Não tenho dúvida - nossas almas já se conhecem - estão ávidas por uma oportunidade, mínima de seja, para que se desnudem, desabrochem, se encontrem e se reconheçam.

E o pior, ou melhor de toda a história, é que VOCÊ já é uma realidade, mas apenas e tão somente nos meus sentidos - está no sonho, nos meus arroubos mais genuínos, na minha crença de que virá, certamente colorido com as cores mais vibrantes, enfeitado de confetes e serpentinas, dourado como o sol e já amado, mais amado que qualquer outro espécie da sua espécie.

 

Sinto nas entranhas! Está rondando, chegando...

3月9日

Vivendo e idealizando

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O Homem Ideal - ele existe?

Ah! O HOMEM IDEAL

O homem ideal é inteligente, sensível, bem humorado, educado, cavalheiro...

O homem ideal é imprevisível, surpreendente, carinhoso, sensual...

O homem ideal tem boa pegada, dorme abraçado, bem enrroscado, beija na boca sem parar, protege seu amor...

O homem ideal sabe o momento de dizer não, tolera suas crises de ciúme, ama seu filho, convive bem com a sua mãe, tios, parentes em geral...

O homem ideal é amigo, cúmplice, companheiro, fiel, confidente, irresistivelmente sedutor ( só prá você!)...

O homem ideal sempre está pronto para um amor gostoso, se faz selvagem na dose certa, domina sua fera com firmeza, lhe entrega a alma irrestritamente...

O homem ideal lhe dá flores em datas inesperadas, faz aquela comidinha que você adora, lhe cobre sempre de elogios, lhe deixa segura do seu amor...

O homem ideal usa o talento em detrimento aos seus atributos, é disponível, prudente e de uma retidão a toda prova...

O homem ideal preenche a sua solidão, sorrí das suas esquisitices e ainda  lhe ajuda a ser melhor...

 

O homem ideal vai muito bem obrigada e mora provavelmente em outra galáxia, isento de tanta expectativa em torno de si. 

 

P.S. Caso você se encaixe neste perfil, por favor, habilite-se!!

3月8日

Vivendo este dia

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 Adormecida? Nem tanto

Mergulhada no sono, me deleito no mundo da fantasia, imersa num estado emocional particular, que me transporta para o sonho.

Sonho de comemorar este 08 de março de 2006 com a certeza de algumas conquistas -  sejam elas:

> do direito igualitário ao trabalho, às oportunidades profissionais;

> do respeito à mulher que vai à luta e sobrevive às adversidades com dignidade e espírito guerreiro;

> do reconhecimento da sua força, capaz de gerar, nutrir com o próprio corpo, dar a vida se preciso fôr a um filho querido;

> da proteção à sua integridade física e emocional, assegurada de forma ortodoxa pelos que elaboram, regulamentam e implementam as leis;

> da adoção de medidas firmes contra qualquer tipo de discriminação à mulher;

> do entendimento dos nossos "adoráveis companheiros" de que somos feitas de um material resistente, duradouro, porém tênue e suave como uma pluma (há que se exaltar a sensibilidade para compreender este aparente paradoxo);

> da compreensão de que sexo frágil não existe - no máximo, uma fragilidade momentânea e oportuna,com a intenção de acalentar, proteger, seduzir;

> da necessária tolerância do sexo oposto naqueles dias de TPM...

Estou aqui - determinada, guerreira, gladiadora das causas impossíveis, mas também aquela que chora, que sofre por amor, que se apaixona, que sente raiva, ternura, que não aprendeu a perdoar, que acredita.

 

E sigo sonhando com a Liberdade - sei que ela existe e me espera.

 

E...VIVA O NOSSO DIA, PARA TODO E SEMPRE! 

3月7日

Ciente e Consciente - é a Vida

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Diferença Sutil

Alguns dias de reflexão - o tempo suficiente para entender que apenas estar ciente do seu mundo, não é passaporte para o real conhecimento do que dele é feito.

Observei, avaliei, critiquei, considerei, ponderei, concluí, mas não cheguei efetivamente a encontrar o SENTIDO - este sim, só o exercício consciente pode ajudar a deflagrar os desdobramentos inevitáveis e responsáveis pela compreensão do que é mecânico, automático daquilo que é realização consciente em nossas vidas.

Vejam o Amor - corre nas veias - são lavas que circulam inquietas, sempre em ebulição - estamos cientes da sua existência e gostamos dos seus efeitos - nos energiza, nos dá força, nos enternece, nos faz vibrar...

Na verdade, consciência do Amor não temos - sentimos que nos mobiliza à ajuda mútua, à possibilidade de convivência com os nossos opostos, a entender as nossas contradições, a  abrir o coração à espera de uma boa surpresa amorosa ou mesmo a viver intensamente uma paixão já conhecida, enfim, a aceitar com o olhar terno o que a vida nos reserva...

Talvez nem tudo possa ser explicado no plano consciente - a nossa dualidade dificulta a nossa luta contra os processos automáticos que estão sempre a nos desafiar, acomodando-nos ao status quo de sempre.

E fica aquela coisa instigante de uma mente inconformada, que quer sempre compreender os fenômenos, as sensações, o que se esconde na subjetividade.

Na verdade, somos vítimas de uma alternância muito clara -  vencedor/ vencido - não nos desacostumamos da nossa habitual máquina - o eterno jogo de perde e ganha não dá trégua.

Entendo que o enriquecimento do ser começa com a quebra dos paradigmas convencionados pelo intelectual, emocional, motor, instintivo ou sexual - qualquer desequilíbrio nos nossos padrões, nos deixa inseguros, carentes, capengas, frágeis, emburrecidos. São formas tão enraizadas nas entranhas que as mudanças se tornam ameaçadoras, desestabilizando-nos por completo.

Está na hora de nos dar esse presente - a alforria dessa forma de escravidão sutil, que sempre nos pega desprevenidos.

 

Só vejo uma saída - tornar-nos  conscientes do caminho!

 

3月4日

A Vida é fugaz?

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Saindo da concha

São 02h40min. Acabo de chegar de um restaurante japonês bem legal - um reencontro me mobiliza - ver qual é - alguns anos sem sequer saber notícias e assim sem que nem prá que, olha lá que surge ele, todo lindo a se insinuar.

Bom! Conversar tão somente - a proposta era essa. Papo animado, relembramos tanta coisa que fizemos juntos - aquela praia da moda onde exibíamos todo fim de semana nossos corpos bronzeados, esculpidos pela malhação diária - nossas confidências adolescentes - nosso desejo contido - nossa alegria a cada reencontro casual... Arrisco dizer que foi a minha primeira paixão platônica ( na verdade só hoje ele soube disso  e eu também).

Fica sempre aquele gosto do que não se viveu por pudor excessivo, por medo, por acreditar que o silêncio pudesse revelar o que se escondia nos gestos, nas intenções. Mas, na verdade passamos por nós mesmos sem deixarmos explodir o que já era tão real - hoje ficou claro as chances perdidas de ser feliz e fica um gosto de passado do que não foi - sensação estranha essa!

Rimos muito, nos sentíamos confiantes como se o tempo não tivesse passado. Em algum momento, nos olhamos atentamente e ficou no ar uma certa tensão, em seguida dissipada pelo meu riso nervoso, mas descontraído.

Assim passamos a noite, a acalentar com cuidado aquela saudade que durante tanto tempo nos fez companhia - afinal, foram momentos difíceis de esquecer - estávamos embevecidos - não pela perspectiva de algo mais, mas pela alegria do encontro.

Na verdade, deixamos rastros sem saber e levamos um pouquinho dos outros em cada um de nós - dessa forma, nunca estamos sós.

Obrigada amigo, você faz parte da minha história - vai continuar no lugar onde hoje está - num passado lindo, florido pela nossa ingenuidade adolescente e tão verdadeira.

 

Estou seguindo -sempre!

3月3日

A Identificação e a Vida

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O vício do cachimbo

Dizem por aí - "o vício do cachimbo deixa a boca torta".

Chego a admitir que um desses vícios é a Identificação.

Pasmem!! Ela está em toda a parte, vai chegando de mansinho e é inevitável que aconteça, pois está relacionada com o que mais de perto nos interessa - geralmente as pessoas lhe dão destaque, atribuindo-lhe qualidades que rotulam como paixão, entusiasmo, dentre outras.

Sabem por que? É necessário que a tenhamos como uma muleta, capaz de justificar nossas escolhas, como:

 "ele se identifica tanto comigo!"

 "ele diz coisas que se parecem tanto com o que eu penso!"

E assim, vamos nos desconcertando, nos lembrando cada vez menos de nós mesmos, tornando-nos fiéis escravos do nosso acontecer fragmentado.

Tomar tudo e a todos de forma pessoal, considerando dádivas ou injustiças o que o mundo lhe reserva, é uma manobra do processo de Identificação - o ser humano passa a exigir que as opiniões que tem sobre si mesmo coincidam com aquelas que os outros têm - sempre está a identificar-se com que os outros pensam de si mesmo - a imagem ilusória e irreal que internalizou ao longo da vida - a imagem idealizada.

E o tempo passa, a imagem se perpetua e vamos nos acomodando a sermos o que não somos de fato.

Louca, eu? Nem pensar! Apenas alerta e preocupada em conhecer mais de perto este ser que habita lá dentro do peito que está sempre a surpreender - estamos constantemente a nos identificar com as palavras, quando tentamos provar algo ( mesmo aquelas coisas das quais não temos total domínio), assim como  também nos identificamos sempre com as pessoas de uma maneira geral, na ilusão de que assim procedendo, possamos conviver melhor com quem nos agrada.

NÃO! Somos seres únicos, singulares, ímpares, portanto necessário se faz que procuremos discernir claramente quem somos - o estado de alerta, a tal consciência, a lucidez e por aí vai...certamente por este caminho, estaremos bem acompanhados, primeiramente dos nossos vários e circunstanciais EUS - o que cada um pretende, geralmente se encontra em desalinho - há que se conciliar audácia e determinação na tarefa de descobrir-se cada dia um pouco mais.

Gosto do que ouví um certo dia - "Os sábios fazem com que a reflexão avance além da percepção" - o que percebemos estará sempre aquém da realidade - resta-nos buscar, buscar, buscar...buscar de novo e seguir buscando sempre.

 

SIGO CAMINHANDO E BUSCANDO - QUERO MAIS!

 

3月2日

Vivendo e coexistindo

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Coexistência

Muitas variáveis juntas, tentando conviver em harmonia - um trabalho estressante, a saudade da família ardorosamente amada, que se encontra distante, a cobrança dos amigos queridos pela invariável falta de tempo, o lazer tão minimamente usurfruido, a busca por mim mesma... UFA!

Tudo isso requer disponibilidade especial, diria até especialíssima. Sinto que estou sempre em débito com uma coisa ou outra, o que me dá aflição - uma gastura interior imensa, como se não fosse capaz de dar conta da minha VIDA.

Sei que é produto da minha ansiedade - por que não consigo controlá-la? Está sempre a me atormentar, querendo antecipar acontecimentos e sofrimentos. Essa ansiedade ainda me mata - VAD RETRO minha filha!

Diz o U2 - COEXISTIR é a palavra! Pressupõe abraçar todas as crenças, todas as causas, sabendo distinguí-las para uma Ação direcionada, objetiva.

Acabei de chegar de um "descanso" de 06 dias - nas caminhadas à beira  mar, na rede a relaxar, na piscina a me refrescar, ou mesmo nos cooper's ao pôr do sol, a cabeça fervilhava em busca de explicações -  remotas possibilidades voltavam ao presente, fazendo-me  todo tempo exorcizar os fantasmas do passado - muita música, alguns amigos, comidinha japonesa ( HUM!!! exige concentração monástica ao degustar)... ingredientes que me ajudaram ( e muito),  a repensar atitudes, planejar os próximos passos, enfim, me plantar no presente.

COEXISTIR!

Há que se ter muito talento para a conciliação de tantas demandas.  Março chegou cheio de perguntas para as quais não tenho qualquer resposta - isso me aflige - E MUITO!

Mas... estou de volta ao meu ninho, querendo aconchego.

 

PRÁ FRENTE É QUE SE ANDA - ESTOU CERTA DISSO!